Estamos vivendo em 2011 na economia

Diz um ditado popular que casa onde não há pão todo mundo grita e ninguém tem razão. Não é bem isso que acontece com o nosso Brasil, porque alguns poucos têm e mais do que o pão em demasia. Mas a muita gente não tem nem mesmo o pão nosso de cada dia.

Esse pão nosso vem do trabalho (escasso) que tende a aumentar quando aumenta uma coisa que os economistas denominam de PIB, ou produto interno bruto, que é o valor de mercado dos bens e serviços produzidos pela economia durante um ano. E o valor do PIB tem reflexo direto na arrecadação dos tributos que incidem sobre o consumo e a renda das pessoas. E, com esses tributos, os governos em todos os níveis pagam salários, compram bens e serviços e fazem investimentos, etc.

Mas nosso PIB tem crescido pouco ou decrescido nos últimos anos. A partir de 2012 tivemos os seguintes índices de crescimento para o PIB: 2012: 1,92%; 2013: 3%; 2014: 0,5%; 2015: -3,77%; 2016: -3,46% e 2017: 0,99%.

Igualando-se a 100% o ano de 2011 e aplicando-se essas variações em cada ano, de forma cumulativa, conclui-se que somente em 2017 (com 99%) que chegamos próximo ao valor de 100% de 2011 (gráfico no final).

Com isso, podemos dizer que mesmo estando em 2018 (que deve crescer muito pouco), estamos vivendo  com a produção de 2011, sete anos atrás! Nesse lapso de tempo, a população crescerá quase 9%, com redução equivalente na  renda “per-capita”. Os beneficiários do INSS cresceram mais de 3% ao ano, em média; as aposentadorias do setor público cresceram a uma taxa ainda maior; e os servidores da ativa tiveram suas vantagens pagas em função do tempo de serviço. Só para ficar nesses exemplos, que implicam maior despesa.

Isso explica, em grande parte, porque 90% da carga tributária líquida do governo federal é absorvida pela seguridade social (previdência, saúde e assistência social), e com todas as carências conhecidas na área da saúde.

Indo mais um pouco, cumprindo na íntegra a destinação constitucional com educação, de 18%, chegamos a 108% (já faltam 8%).

Incluindo todos os Ministérios e secretarias (mais de 30), entre eles o de Transportes, onde se aplica muitas vezes menos do que se necessita; os Outros Poderes, com seus enormes salários;  e os conhecidos desvios,  formamos em 2017 um déficit primário de R$ 119 bilhões, que somados aos juros, R$ 341 bilhões, vai a R$ 460 bilhões, ou 7,02% do PIB.

Quanto maiores forem os déficits primários mais a dívida aumenta e, em decorrência, mais juros pagamos ou incorporamos à dívida.

Sem querer ser dono da verdade, deixo este artigo para reflexão.

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