O dilema de Hipócrates e Smith – Por Roberto B.Calazans

Na sociedade brasileira existem três ideias bem demarcadas quanto à crise provocada pelo coronavírus. A primeira observa que a vida está em primeiro lugar. Os custos são irrelevantes, o Tesouro Nacional deve pagar a fatura e o Banco Central deve emitir dívida mobiliária e, no limite, ampliar a base monetária (sem problema, sic!). Conhecidos políticos têm dito que não há limites para o gasto público, talvez pensando o que Brasil emita dólares. A segunda posição entende que a recessão ou a depressão são piores do que a crise epidêmica já posta.

A mídia e alguns políticos, bem manjados, fazem disso um grande confronto, centrando-se em embates pessoais, substituindo-se o fato pela versão. Com isso, estimulam-se a intolerância e o confronto de ideologias.

Por fim, há uma terceira posição intermediária. Essa defende que o planejamento em saúde não se dissocia das questões de ordem econômica. Afinal, todos os gastos em saúde e em proteção social precisam ser financiados e isso depende do orçamento público.

O Ministro Mandetta trouxe um discurso novo para a sociedade brasileira, qual seja, a defesa da ciência como contraposição à orientação política.

Quem tem razão? Quem tem a bola de cristal para afirmar qual dessas ideias é a melhor para a sociedade? Na democracia, vale é a maioria e as pesquisas indicam apoio ao ministro.

Que Deus o ilumine para que sua orientação esteja plenamente correta, sendo salvas mais vidas. No entanto, ainda não ficou claro quanto tempo iremos manter a economia parada? Entendo que isso está faltando. O achatamento da curva se dará em quantos meses? Ontem, ouvi que talvez em junho a situação se normalize. Como ficarão os estados da Região Sul no pico forte do inverno em junho e julho, haverá isolamento (horizontal ou vertical) nesses meses?

Com o passar dos dias, acredito no fortalecimento do equilíbrio, tendo em vista que o crescimento da epidemia, falências, desemprego elevado, fome e recessão prolongada não interessam a ninguém. Somente àqueles que querem o pior para provocar rupturas institucionais.

Todos os dias, assisto atentamente as entrevistas, às 17h, tentando entender os cenários e a trajetória da curva, e sua ligação com a retomada das atividades econômicas.

A sociedade está em ebulição, pois há uma massa trabalhadores, que vivem a margem do dinheiro público, querem a volta ao trabalho, assim como há empresas que sentem o risco das falências e perdas de capital. O equilíbrio exige em tomar decisões sensatas em tempo real.

Por fim, voltando à ciência, apreendemos em teoria da administração que não há planejamento social sem cenários econômicos. Abril e maio são logo ali, quando os boletos, as demissões e o atraso salarial chegarem, o tempo dirá quem tem razão.

De forma rápida e efetiva, o Presidente e seus ministros apresentaram um plano de emergência de R$ 800 bilhões, começando a pagar o voucher já em abril. Posso estar enganado, mas o povo começa a perceber quem está trabalhando e quem está transferindo responsabilidades.

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